terça-feira, 3 de agosto de 2010

A MATURIDADE MORA NA ESCUTA

Todos têm algo a nos ensinar.

Todo ser humano traz em si uma profunda necessidade de autoafirmação. Todos desejam a valorização por parte dos demais, porém, essa necessidade – de ser aceito e de se afirmar diante da vida – precisa trazer em si certa medida de equilíbrio e maturidade, pois, quando não é assim, tendemos a agir puramente aprisionados por nossos instintos.

Todo o mundo quer ser acreditado, todos querem ter a razão e a verdade em sua conduta. Por vezes, queremos que nossa maneira de pensar seja acolhida pelos demais, mas, precisamos ter a consciência de que nem sempre estamos certos e de que não podemos exigir que nosso modo de pensar seja acolhido por todos como verdade absoluta.

As grandes catástrofes da humanidade se deram quando alguém ou um grupo específico se fecharam apenas em um ponto de vista isolado, não se abrindo a outros focos de visão e acreditando ser os únicos donos da verdade.

Muitos são peritos em defender a própria verdade, mas, verdadeiramente maduro é aquele que sabe ouvir e acolher o ponto de vista dos outros, abrindo-se ao diálogo e reconhecendo que os demais também têm coisas boas a ensinar e a oferecer, e, que, por essa razão, merecem ser respeitados.

Todos têm algo a nos ensinar, o ponto de vista alheio contempla realidades não percebidas por nós.

É feliz quem sabe ouvir e acolher o que outro expressa, pois tal atitude faz com que sejamos pessoas mais completas, rompendo assim as barreiras do egoísmo, as quais nos fazem acreditar que somente nós estamos certos.


Ouvir é uma virtude e, por meio do diálogo, alcançamos grandes progressos.

A vitória mora na humildade, que sabe abrir mão de suas próprias razões, para que o outro seja um pouco mais, assim o consenso acontece e ambas as partes são capazes de crescer. Quem sabe perder e ceder nas pequenas coisas, conquistará grandes realizações. Compreendamos isso e construiremos significativas conquistas em nossa história.



Por :
Kelle Gardênia R.J


kellegardenia@hotmail.com


Psicopedagoga, graduanda em psicologia (6º período)


sexta-feira, 9 de julho de 2010

JEROMEMURAT: O ENCONTRO DA SOMBRA COM A PERSONA - PROCESSO DE INTEGRAÇÃO PSICOLÓGICA

Hoje trouxemos um vídeo que representa bem o processo de encontro do PERSONA com a SOMBRA resultando na INTEGRAÇÃO PSICOLÓGICA.

Numa ótica Jugana, o Persona é o arquétipo que representa as Máscaras Sociais, necessárias nas relações interpessoais. Exemplo: O General, o professor, a mãe, a esposa, o cidadão de bem, o cristão, etc são representações sociais que se configuram no contexto funcional das relações.

O que se espera de um general no exército, de um professor em sala de aula, de uma mãe para seus filhos, de uma esposa para o seu esposo, de um cidadão de bem para a sociedade e um cristão para os cristãos?

Espera-se uma coerência entre comportamentos e suas respectativas representações sociais.
Utilizamos máscaras sociais ou personas, porque precisamos assumir determinados papéis em determinados contextos como forma de funcionar de acordo a demanda sócio-contextual.

Logo, no exército o homem destinado à general precisa ser general, assim como a mulher para os filhos precisa assumir o papel de mãe. Em casa o general do exército é apenas pai e esposo enquanto a mulher além de mãe também é esposa. Antes de todos estes papéis sociais assumidos são Seres Humanos em Processo Contínuo de Constituição e Integração.

O PROBLEMA é quando as máscaras não se flexibilizam e o indivíduo general no exército iludi-se achando Sê-lo em outros contextos tornando-se autoritarista e muitas vezes tirano. Ou quando a mulher não tira a máscara de mãe para o esposo e se comporta de fato como mãe dele e ele, por outro lado, também deixa de percebê-la como mulher passando tão somente a percebê-la em seus aspectos maternais perdendo o desejo sexual por a mesma.

Quando as máscaras sociais são enrijecidas e as pessoas não conseguem se perceber de outra forma diz-se que a outra face da Máscara ou do Persona perde a luz formando Sombras Psicológicas. O lado negado, reprimido, negligenciado, fragmentado de nós mesmos.

É o caso do indivíduo fanático-religioso que nega sua humanidade, não admitindo por exemplo o seu desejo sexual por indivíduos do mesmo sexo assumindo assim, um Persona de Celibatário, não se permitindo nem a masturbação. Tornando Sombra o seu desejo passa a se degenerar psiquicamente e a projetar seus aspectos sombris no mundo externo a ele, provavelmente assumindo um comportamento homofóbico e de "caça as bruxas" a quem vivem muito bem com sua sexualidade.

As Sombras Psicológicas, porém são estruturas psíquicas vivas, energeticamente carregadas e forçam sua emersão ao consciente. O Ego Imaturo, ou o Eu para o Social, acaba consumindo muita energia libdinal (energia psíquica para vida) tentando manter os aspectos percebidos como indesejáveis e tornados Sombras imersos no insconsciente psíquico, em local onde ninguém possa conhecer, de tal forma que nem mesmo o indivíduo acessa livremente .

Entretanto, a mente humana trabalha de forma a manter o equilíbrio, o que signica considerar que qualquer tensão que concentre energia em determinado pólo tende a ser descarregado em forma de ação para liberar energia e manter o equilíbrio. Quando sentimos, por exemplo, um desejo sexual, concentramos energia. O impulso à satisfação desse desejo é mantido até que saciemos em forma de ação (atitudes e comportamentos) que permitam liberar a energia acumulada mantendo o equilíbrio, ou a omeostase mental.

Assim, a flexibilização de máscaras sociais e consequentemente a formação de Sombras pode induzirmos a considerar a atuação de um Ego Imaturo tentando manter o equilíbrio mental por não saber ainda agir de outra forma. Tentando satisfazer suas NECESSIDADES de ordem pessoal relacionadas tanto a dimensão interna e externa busca controlar o fluxo energético na direção da maior demanda do momento. Logo, enrijecer uma máscara, Sobreando Personas pode ser compreendido como uma Defesa do Ego Imaturo tentando a omeostase, da maneira que sabe fazer.

Tudo isto faz parte de nosso PROCESSO DE CONSTITUIÇÃO PSÍQUICA e culmina para a INTEGRAÇÃO PSICOLÓGICA, ou INDIVIDUAÇÃO.

Aos poucos o Ego deixa de ser o Eu para o Social tornando-se cada vez mais Transpessoal à medida que passa a funcionar em função do Self, o Si-mesmo, o Estado Integrado Totalizador da Psique, a Inteligência Suprema da Psiquê que integra pari-passe, os aspectos fragmentados da mente humana tornando-a mais consciente, equilibrada, adapatada e integrada substancialmente e fortalecida no meio social da qual interage.

No filme a seguir ilustra bem o processo de integração psíquica representado pela conscientização e acolhimento da outra face da mesma Máscara ou Persona integrando-a na Totalidadade que o constitui por inteiro.




Por Marcelo Bhárreti