quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Psicologia: ciência e profissão – A avaliação da profissão, segundo os psicólogos da área organizacional

Acadêmica: Andréa Patrícia Rabelo Sousa


ANDRADE, Jairo Eduardo B. Psicologia: ciência e profissão – A avaliação da profissão, segundo os psicólogos da área organizacional. Versão impressa ISSN 1414-9893. Psicol. Cienc. Prof. V.10 n.1, Brasília, 1990.

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Borges-Andrade em pesquisa realizada com os dados dos Conselhos Federal e Regionais de Psicologia durante o período de 1985 a 1986 num universo de 2447 que respondeu ao questionário ressaltou como os psicólogos organizacionais avaliam o suas atividades profissionais.

Parte-se do pressuposto da insatisfação com o estado atual, tanto na remuneração quanto das atividades desenvolvidas com as condições sociais, econômicas e culturais da atuação deste profissional no exercício de sua profissão.


A análise que se empreende está colocada na perspectiva que passa pelo status profissional, as dificuldades profissionais, as diferenças entre a área organizacional e as demais áreas e os desejos de mudança profissional.
O status profissional mostra uma opinião favorável com relação ao item prestígio da profissão junto à comunidade, e uma pontuação menor com relação a adequabilidade da remuneração. Em comparação com outras áreas de atuação do psicólogo, verifica-se que a área organizacional é bem mais adequada do que as demais.


Os problemas organizacionais demandam da presença do psicólogo que saiba lançar mão dos conhecimentos acumulados da Psicologia em um contexto social e interdisciplinar. Então se verificou na pesquisa que as maiores dificuldades relativas à formação e experiência na área organizacional está ligada à falta de vivência administrativa e a falta de conhecimento da realidade sócio-econômica. Outras dificuldades sentidas tange na falta de informação de outros profissionais no papel do psicólogo como agente contribuidor dos processos. Esta última questão refere-se tanto aos profissionais organizacionais como de outras áreas ligadas à psicologia.


O exercício das atividades de trabalho pelo psicólogo organizacional têm sido restritos, precários e deficientes. Uma implicação colocada na pesquisa foi a falta de infra-estrutura para que o profissional possa desenvolver seu trabalho, isto vale para todas as áreas. Os limites no preparo para a atuação, em muitos cursos de Psicologia, não ultrapassam as linhas demarcadas pela seleção e orientação profissional, o que vale uma reflexão e postura deste profissional.

Outro ponto interessante e de menor avaliação refere-se à dificuldade pela discriminação sexual, como também a maior média refere-se das dificuldades provocadas pela política sócio-econômica do país.

Há um processo menor de estabilidade profissional entre os psicólogos organizacionais comparados ao de clínica e comunitário, como também é maior a discriminação sexual entre estes profissionais organizacionais.


Um dado importante é na satisfação em relação à profissão ou desejos de mudança, entre os psicólogos em geral e os da área organizacional. Verificou-se que o percentual dos psicólogos da área organizacional que desejam pela mudança de área dentro da Psicologia é bem maior do que nos outros campos de atuação. Estes colocam razões concernentes à insatisfação com as características sociais desta profissão, o que para os psicólogos em geral seriam as razões econômicas e de remuneração.


Em suma, a análise das atividades, responsabilidades e condições de trabalho do psicólogo organizacional possibilitará refletir sobre as especificações que são necessárias estabelecer no processo de formação. O profissional que se pretende não é aquele que vai ajustar-se mecanicamente às necessidades do mercado, mas um profissional capaz de restabelecer as condições que o mercado oferece, utilizando de modo competente os espaços que lhe são oferecidos.

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